Psicologia Financeira
Quando o assunto é dinheiro, gostamos de pensar que sabemos como lidamos como ele. Mas somos enganados constantemente por nosso cérebro e nem nos damos conta disso.
Veja mais essa publicação para entender porque e os meios de lidarmos melhor com isso.
Dando continuidade ao assunto tratado nas últimas publicações, hoje quero explorar mais um assunto importantíssimo em nossa busca pela riqueza, tema dessa série de artigos, sempre com a ressalva de que, quando falo em riqueza, falo de forma mais ampla, ou seja, aplicada em todas as áreas de nossas vidas.
No artigo seguinte ao primeiro desta série, falei da importância da educação como iniciativa balizadora dos conhecimentos necessários para alcançarmos a riqueza (veja a matéria aqui).
Hoje irei tratar de um assunto que é mais voltado à questão financeira propriamente dita, mas ainda no terreno de nossas emoções, pensamentos, psicologia e mentalidade, ou seja, o modo como nós humanos usamos nosso cérebro e nossos pensamentos para lidar com questões financeiras.
O motivo de eu tratar desse assunto ao invés de partir para questões relacionadas à riqueza financeira propriamente dita, é que esse assunto é extremamente importante, pois está relacionada à maneira como nós nos relacionamos com o dinheiro, envolvendo questões emocionais, psicológicas, racionais e mentais, e está muito bem retratada em nossas crenças e paradigmas.
Então, vamos explorar esse assunto que é, ao mesmo tempo interessante e surpreendente.
Em seus estudos, o psicólogo israelense Daniel Kahneman em parceria com o também psicólogo israelense Amos Tversky fizeram profundas descobertas sobre como nossas mentes trabalham sobre os processos de decisão.
Em seu fantástico livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, Daniel Kahneman explica como nossa mente trabalha basicamente em duas frentes: uma mais rápida, que usa ferramentas intuitivas e emocionais, e outra mais devagar, racional, lógica e deliberativa, que chamou de Sistema 1 e Sistema 2 respectivamente.
No Sistema 1 – mais rápido – nosso cérebro se utiliza de “atalhos” para tomadas de decisões. Esses atalhos foram criados em experiências e conhecimentos passados e são usados para uma melhor otimização do tempo e da capacidade cerebral, ou seja, é uma forma rápida de tomarmos uma decisão que não precisará de um novo esforço mental.
Isso representa uma capacidade extraordinária do nosso cérebro, que nos ajuda imensamente para encontrarmos meios de obtermos respostas rápidas para os mais variados problemas do dia a dia. O problema com esse sistema é que ele pode ser carregado de vícios e defeitos, que podem nos levar a tomar más decisões ou decisões equivocadas.
Entre essas más decisões ou equívocos, estão alguns comportamentos como:
- aversão à perdas financeiras;
- excesso de confiança no momento de escolhas estratégicas;
- dificuldades de previsão sobre nossas escolhas futuras;
- dificuldades em identificar riscos em nossas vidas pelos nossos atos e principalmente por decisões financeiras,
E vários outros comportamentos.
Em uma de suas descobertas, Kahneman descobriu por exemplo, que geralmente nós nos sentimos pior por perder cinquenta reais, do que ganhar esses mesmos cinquenta reais, ou seja, o sentimento que nos atinge pela perda é muito mais intenso do que o sentimento do ganho, mesmo que se trate do mesmo valor ou até mesmo de um valor ligeiramente maior de ganho.
Outra de suas descobertas, é aquela relacionada a valores anunciado por produtos e/ou serviços onde há um alto valor inicial, e no mesmo anúncio, é mostrado um valor bem mais baixo, o que dá a impressão de que há uma imensa vantagem na compra desse produto.
Isso é mais conhecido como ancoragem, e acontece porque nosso cérebro “registrou” aquele valor maior em primeiro lugar, e ao comparar com um valor bem mais baixo, nosso cérebro percebe como uma grande vantagem.
“Aproveite: de R$1.697,00 por apenas R$697,00!”
Quem nunca se deparou com um anúncio parecido com este de cima, e acabou comprando, mas que se fosse pensar racionalmente e com mais calma e cuidado, não compraria, porque mesmo pelo valor mais baixo, não valeria a pena?
Já com o Sistema 2 ocorre o contrário: é um modo de pensar mais lento, mais lógico e racional, porém, mais custoso do ponto de vista do esforço e do gasto de energia cerebral.
O ideal em finanças, seria usar o Sistema 2 – racional e lógico – na maioria das decisões que envolvem dinheiro, investimentos, planejamento e controle de riscos.
Mas como vimos, esse processo é mais lento e envolve muitas operações mentais, levando uma grande quantidade de energia cerebral para chegarmos a uma melhor decisão, o que, como foi visto, nem sempre é o sistema mais utilizado por nós.
Conhecendo esses dois sistemas, e sabendo a diferença entre um e outro, já temos informações suficientes para tomarmos as melhores decisões que envolvam dinheiro, planejamento futuro e controle de riscos.
Para aprofundarmos nosso conhecimento sobre como nossa mente age em relação à dinheiro e à decisões financeiras, deixo abaixo algumas recomendações de livros, além de reforçar o que sempre digo: busquem a educação, por meio de estudos, leituras, cursos, palestras, newsletters e todo e qualquer meio para sempre irmos de encontro ao conhecimento e nos desenvolvermos de forma geral e pessoal.
Nos próximos artigos, iremos dar continuidade a essa maravilhosa série de como irmos em busca de riquezas para nossas vidas.
Nos veremos lá.
Livros recomendados:
- Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar – Daniel Kahneman
- A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade – Morgan Housel
- Pai Rico, Pai Pobre – Robert T. Kiyosaki
- Os Segredos da Mente Milionária – T. Harv Eker
Você pode adquirir os livros citados acima clicando aqui.
Observação: a lista de livros recomendada acima, é a lista mais básica de todos os que querem iniciar nesse maravilhoso mundo das finanças.
Há centenas, talvez milhares de livros que tratam dessa área de interesse, mas como disse, a lista acima é o começo dessa jornada. Conforme forem estudando e se inteirando das informações desses livros, avance para outros títulos e temas.
Se preferirem, me escrevam pedindo mais indicações de livros, ou se for de interesse de muitas pessoas, eu escrevo um artigo só com recomendações e comentários de vários outros livros.
Grande beijo no coração e que tenhamos uma mentalidade positiva e aberta a novos aprendizados e a constante evolução.
Grande abraço fraternal.