Inflação
O que é inflação?
Como ela impacta – e dificulta – nossas vidas?
Como combatê-la?
Vamos ver tudo isso e mais, nesse novo artigo do Chama Riqueza.
Definição técnica: Inflação é o aumento consistente e persistente dos preços de bens e serviços.
Definição popular: “Inflação é algo ruim, corrói o nosso dinheiro e faz tudo ficar mais caro”. E esta, é a que mais dói, tanto no bolso quanto em nossas vidas em geral, principalmente no que se refere às nossas finanças.
Em um cenário de inflação, há uma diminuição do poder de compra de nossa moeda, ou seja, o mesmo valor de um período anterior, não é mais capaz de comprar a mesma coisa em um período presente e/ou futuro.
Vários fatores causam a inflação.
O principal deles, é provocada pela maior procura por bens e serviços no mercado e que no momento não estão disponíveis e os meios de produção dos mesmos, não tem capacidade para produzi-los em um certo período, o que faz com que os mesmos tenham o seu preço elevado.
Esse fato pode ser desencadeado por exemplo, por uma grande procura de alguns produtos e serviços, e os mesmo não atendam essa demanda, e também não conseguem ser produzidos e disponibilizados no momento certo.
Caso essa demanda se mantenha e a produção não acompanhe, há o cenário perfeito para a alta de inflação.
Por exemplo: pense em algum produto ou serviço qualquer.
Vamos supor que seja algum alimento, como por exemplo o tomate. Caso haja algum problema climático, ou pragas e doenças que se abatam sobre a plantação, haverá uma menor oferta do produto no mercado. Caso a demanda (procura) pelo produto se mantenha, não haverá tomate suficiente para atender essa demanda.
O que acontece? Os preços sobem, pois é inerente ao ser humano que, ao perceber que um produto está com alta demanda (procura) e uma baixa oferta, ele – o comerciante, no caso – irá se antecipar à falta desse produto e suba o seu preço.
Se isso se manter por um determinado período consecutivo, irá haver impacto na inflação.
Outro exemplo: os combustíveis. Caso haja uma pequena diferença entre a oferta desse produto, ou uma maior demanda, ou ainda, caso os seus preços sejam alterados por algum fator externo, já que os preços de combustíveis estão diretamente vinculados ao mercado externo, também irá impactar em uma possível alta da inflação.
Esses dois exemplos são muito simples de entender, mas imagine o mercado como um todo, sofrendo ofertas e demandas que flutuam ao longo de um dia, uma semana, um mês.
Tudo isso influencia diretamente em como a inflação é impactada, positiva ou negativamente.
Outro fator é uma alta nos custos de produção, onde poderão ser adicionados na cadeia produtiva – agora mais cara – fazendo com que os preços também subam. É parecido com o exemplo da alta dos preços dos combustíveis do exemplo anterior.
Vemos quase que diariamente na TV e em outras mídias o assunto inflação sendo tratado como o principal vilão da economia.
E de fato, ele realmente se apresenta como o grande vilão da economia, mas principalmente para a classe mais baixa da população, já que corrói uma parte da renda dos assalariados, diminuindo o poder de compra de itens básicos da sua sobrevivência.
Toda vez que vamos ao supermercado, temos a sensação de que os preços não são mais os mesmos, e que nosso dinheiro já não compra mais a mesma quantidade de itens que comprava antes.
Não se trata somente de percepção: é uma realidade que lidamos todos os dias.
E por que isso acontece?
Exemplos não faltam.
Provavelmente você acompanha alguns noticiários sobre desastres naturais, como secas ou alagamentos em algumas regiões.
Pois bem, imagine os estragos que os dois fenômenos podem causar na produção de hortaliças, legumes, frutas, carnes e outros produtos da agricultura.
Porém, a procura por esses alimentos não cessa.
Como há demanda (procura), e a produção não acompanha, os preços sobem para “compensar” a falta do produto, como visto no primeiro exemplo acima.
Lembra da lei da “Oferta e Demanda”?
Pois é exatamente isso o que acontece, não só com o exemplo acima, mas com todos os outros produtos e serviços da economia.
E por incrível que pareça, um dos fatores que influenciam muito para a alta da inflação, é a própria expectativa de que ela poderá aparecer.
Por exemplo, se um lojista observa que está havendo uma maior dificuldade em repor as mercadorias de sua loja, ele irá aumentar o preço prevendo uma possível falta do mesmo.
É como um tipo de mecanismo de defesa que o lojista usa, para “compensar” essa possível falta, e repor de alguma forma a sua renda.
A inflação não é somente prejudicial para assalariados e aumento de preços dos produtos. Ela também gera incertezas na economia, desestimulando investimentos e prejudicando o crescimento econômico.
Para tentar combater uma inflação, os países geralmente utilizam de políticas econômicas para criar ferramentas que poderão ser úteis para alcançar esse objetivo.
No Brasil, uma dessas ferramentas de política econômica de combate à inflação, é a taxa básica de juros, conhecida como taxa Selic. Falei sobre esse assunto aqui.
Quando a inflação sobe, o Banco Central também sobe a taxa Selic. Isso faz com que os custos de empréstimos no mercado fiquem mais caros, desestimulando o consumo e os investimentos nas empresas, o que é uma das formas de combate.
O contrário também é valido: quando a economia está estagnada e a inflação baixa, o Banco Central reduz a taxa de juros básico da economia (Selic) para estimular o consumo e os investimentos no setor produtivo.
O principal índice que mede a inflação, é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que reflete a perda do poder de compra da moeda, e é composto de uma cesta de produtos e serviços utilizados pelo consumo das famílias, com diferentes pesos na economia e refletem as oscilações de preços dos mesmos ao longo de um certo período.
O IPCA é o índice oficial que mede a inflação no Brasil e é apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística).
Porém, há vários outros índices, como o INPC, IGP-M e IPC-Fipe.
Não irei entrar em detalhes sobre esses outros índices, pois são mais técnicos e geralmente usados para propósitos mais específicos, como por exemplo, o IGP-M que é muito utilizado para reajustes de contratos de aluguéis, seguros de saúde e reajustes de tarifas públicas.
Inflação é algo que nunca irá nos abandonar. A inflação existe, sempre existiu e sempre existirá.
Inflação é um reflexo do próprio mercado, e é influenciada diretamente pelos preços dos produtos e seus agentes na economia, além de outras variáveis complexas, como políticas monetárias, políticas de câmbio, situação fiscal do país, produção total de bens e serviços (PIB) entre outros.
Em caso de inflação alta, como explicado acima, uma das formas de combate é elevando a taxa básica de juros do país, alterando-se a Selic para o controle dessa alta. Isso é prerrogativa do governo e como se dá a sua política monetária.
Da nossa parte, da parte dos consumidores, dos trabalhadores, enfim, das pessoas comuns, devemos buscar alternativas mais baratas no mercado em detrimento dos produtos que estão caros.
Fazendo-se isso, contribuímos para que a demanda (procura) por esses produtos seja menor, forçando assim os seus preços a baixarem.
Dessa forma, também podemos ajudar no controle da inflação.
Espero que eu tenha sido claro e explicado bem como essa nossa companheira inseparável, porém grande vilã de nossas vidas, pode ser melhor compreendida e tratada.
Não deixem de comentar sobre esta publicação e se há interesse em se aprofundar mais nesse tema, inclusive como ela é medida, explicar os outros índices de preços, entre outros comentários.
Grande beijo no coração e que tenhamos uma mentalidade positiva e aberta a novos aprendizados e a constante evolução.
Grande abraço fraternal.