Paciência: o principal ingrediente da Riqueza
Você sabe qual é o melhor ingrediente para enriquecer?
Os juros? O valor investido? O tempo? Investimentos “agressivos”? Empreendimentos rentáveis e escaláveis?
Sim, tudo isso é muito importante. Porém, o mais importante, é o tempo, e tempo, demanda paciência. Esse é o ingrediente mais importante, independentemente das outras variáveis.
Veja neste novo artigo, como a paciência nos deixa ricos.
Por que é tão difícil enriquecer?
Essa é a principal pergunta que as pessoas que desejam alcançar a riqueza fazem.
Para quem já chegou lá, além de saber o caminho das pedras, também sabem qual é o ingrediente mais importante.
A riqueza financeira é feita de vários ingredientes, sendo os mais importantes, o valor inicial do investimento, a idade em que iniciamos nossos investimentos, os juros que incidem sobre esse investimento, os aportes regulares (mensais, trimestrais, semestrais, anuais etc) e, principalmente, o horizonte de tempo que temos.
É sobre esse último ingrediente que quero entrar em mais detalhes hoje.
O horizonte de tempo, é o que chamamos de prazo, seja curto, médio ou longo prazo.
A riqueza é muito impactada pelo horizonte dilatado, ou seja, o longo prazo.
Quanto mais longo um investimento for levado, maior o seu retorno, não esquecendo as outras variáveis já descritas.
E por que isso acontece?
Por causa dos juros compostos, tema de outro artigo já tratado.
Inclusive, nesse artigo citado (Juros Compostos), dei um exemplo muito básico de como os juros compostos agem em função do capital investido, dos juros incidentes e do prazo.
Naquele exemplo dado, fui um tanto infeliz por informar um prazo muito curto, o que deixou o exemplo não muito informativo sobre o real poder dos juros compostos.
Hoje quero fazer um mea culpa e tentar me redimir, dando um novo exemplo, ainda bem simples, porém mostrando o real poder dos juros compostos.
Imagine um investimento de cinco mil reais (R$5.000,00) com juros de 12% ao ano, em um horizonte de tempo de 60 anos.
Esse pequeno investimento inicial, ao final de sessenta anos, irá gerar um montante de mais de quatro milhões de reais, ou mais precisamente R$4.487.984,67, dos quais, só de juros, renderam R$4.482.984,67.
Acompanhe na planilha abaixo, o poder dos juros e da paciência agindo em nossas vidas para criar verdadeiras fortunas.
Ano | Total | Juros |
1 | R$ 5.600,00 | R$ 600,00 |
2 | R$ 6.272,00 | R$ 1.272,00 |
3 | R$ 7.024,64 | R$ 2.024,64 |
4 | R$ 7.867,60 | R$ 2.867,60 |
5 | R$ 8.811,71 | R$ 3.811,71 |
10 | R$ 15.529,24 | R$ 10.529,24 |
15 | R$ 27.367,83 | R$ 22.367,83 |
20 | R$ 48.231,47 | R$ 43.231,47 |
25 | R$ 85.000,32 | R$ 80.000,32 |
30 | R$ 149.799,61 | R$ 144.799,61 |
40 | R$ 465.254,85 | R$ 460.254,85 |
50 | R$ 1.445.010,95 | R$ 1.440.010,95 |
60 | R$ 4.487.984,67 | R$ 4.482.984,67 |
70 | R$ 13.938.999,14 | R$ 13.933.999,14 |
Notem que, nos dez primeiros anos, esse investimento retorna algo como “somente” dez mil reais de juros. Parece pouco, se não tivermos consciência do poder dos juros compostos ao longo do tempo, e principalmente, não tivermos o principal ingrediente: a paciência.
Mas se conseguirmos nos render ao apelo do retorno rápido, e deixarmos por mais alguns anos, algo mais interessante irá começar a acontecer aos 30 ou 40 anos.
Porém, pare só por um minuto para analisar novamente a planilha acima: cinco mil reais – só cinco mil reais! – investidos por 60 anos, criaram outros quatro milhões de reais, na verdade, quase cinco milhões!
Acabei até expandindo o horizonte de tempo na planilha, além dos 60 anos do exemplo, para mostrar como os juros fazem “explodir” os valores conforme o tempo vai se dilatando.
Nesse caso, aos 70 anos de investimentos, os valores mais que triplicam ante a década anterior, indo dos 4 milhões de reais, para bem perto dos 14 milhões de reais!!!
Incrível isso não é mesmo?!
Eu não me canso de admirar essa verdadeira força que produz mágicas para pessoas pacientes.
Antes que os céticos, os críticos e os “haters” inundem a minha caixa de e-mail, ou comentem este artigo com críticas e argumentos contrários, já irei me adiantar e explicar os números.
A primeira crítica seria em relação à taxa de juros.
Muito provavelmente, haveria mensagens do tipo: “Juros como esse não existe mais”, ou “É quase impossível ter juros de doze por cento ao ano”, e coisas do tipo.
Sim, de certa forma até concordo. Com os juros mundiais sendo sistematicamente reduzidos ano a ano, fica realmente difícil encontrar juros com dois dígitos em investimentos mais populares e seguros.
Porém, em minha defesa, digo que essa taxa de juros, não é tão difícil assim de encontrar.
O “segredo” é estudar, procurar e aprender a aplicar em investimentos melhores, com maiores retornos e riscos aceitáveis.
Ações podem ser um exemplo de como buscar retornos de dois dígitos anuais. Mais sobre isso adiante.
A segunda crítica, seria em relação ao tempo.
Quando falamos em ter uma colheita em um prazo de mais de 10 anos, parece algo longe e impraticável, desestimulante até.
Que dirá então em sessenta anos!
“Como assim esperar sessenta anos para resgatar um investimento? Até lá eu já estarei morto!”.
E é esse ingrediente em particular – prazo do investimento – o principal responsável em responder à pergunta inicial (por que é tão difícil enriquecer?).
Novamente, em minha defesa, preciso deixar algumas explicações.
Em primeiro lugar, devemos estar cientes de qual momento de vida esse exemplo se aplica.
Não seria nada interessante fazer esse investimento para alguém com mais de quarenta anos por exemplo, pois se assim fosse, essa hipotética pessoa iria resgatar esse montante somente com mais de cem anos.
Mesmo que vivesse ainda mais alguns anos, essa pessoa provavelmente não teria mais tanta motivação para se aproveitar do resultado.
Quando eu falo do poder dos juros compostos, geralmente devemos lembrar dos componentes que geram o resultado, como o investimento inicial, a taxa de juros e o tempo.
O melhor aproveitamento desse exemplo em particular, seria para, por exemplo, um investimento feito por um pai ao seu filho(a), desde a mais tenra idade, até por volta do final da sua adolescência, para, quando ele estiver com seus setenta ou setenta e cinco anos, usufruir desse valor, que convenhamos, não é nada desprezível.
Nesse cenário, essa pessoa poderá se beneficiar de um valor muito interessante e poderá financiar uma vida de muito conforto, lazer e segurança financeira.
Se mesmo assim ficou difícil imaginar essa hipotética imagem, pense no seguinte: imagine você, como pai, mãe, ou outro familiar, presenteando um filho ou neto, ainda muito novo – o ideal é o mais novo possível – com um valor qualquer.
Podemos usar como guia o mesmo valor como o do exemplo acima.
Sendo então de cinco mil reais ou mais (ou menos, se não tiver disponibilidade desse valor) e aplicando-se em algum investimento que possa gerar taxas ao redor de 12% ou mais ao ano, chega-se no valor acima calculado.
Nada mal, não é?
Não podemos nos esquecer que ao longo do tempo, poderemos – e é muito indicado – fazer aportes esporádicos, o que irá incrementar o capital no qual os juros compostos farão a sua mágica.
O ideal é que esses aportes acontecessem de forma constante. Melhor ainda se puder ser mensal.
Mesmo que fosse anual, daria uma imensa ajuda para que o rendimento final fosse imensamente impactado.
Para se ter uma ideia do poder dos aportes recorrentes, imagine que todo mês fosse depositados cem reais (R$100,00).
Usando o mesmo exemplo dado acima, somente com essa adição extra mensal, o resultado final seria quase de um milhão a mais, ou precisamente R$5.235.148,78.
Imagine o que valores maiores poderiam fazer!
Citei acima que taxas de juros de dois dígitos são difíceis de conseguir com investimentos mais conservadores, populares e muito seguros.
Então, o que poderia gerar essa taxa? Qual investimento poderia ser escolhido.
O mercado financeiro possui muitas opções de investimentos, alguns mais agressivos, outros mais conservadores.
Uns com maiores riscos e outros com riscos aceitáveis.
Na minha opinião, quando se trata de pensar em um investimento que irá render mais ao longo do tempo, é inevitável pensarmos em investir em ações.
Isso é ainda mais favorável quando se trata de se fazer investimentos em idades bem iniciais, como no exemplo acima.
Apesar de ser um pouco mais arriscado que outros investimentos, ações podem beneficiar quem as investe por causa do horizonte de tempo longo do mesmo.
Sempre gosto de indicar investimentos em ações à longo prazo, começando nas mais tenras idades, pois a mesma se beneficia do longo prazo.
Mesmo que haja quedas em determinados períodos, ao longo do tempo elas tendem a se recuperar e se mostram como geradores de riqueza.
Mas este artigo já está ficando um tanto grande para tratar desse assunto amplo e interessante.
Vamos deixar então para uma próxima.
Esse é o poder da educação financeira na vida das pessoas e famílias.
Tendo esse conhecimento e agindo nesse sentido, uma simples ação como essa pode representar um grande benefício para essa pessoa que, ao chegar à uma idade de já querer – e poder – desacelerar, pode-se dar ao luxo de ter muitos benefícios financeiros que foram plantados há muito tempo pelos seus familiares.
Mas para isso, como bem descrito no título deste artigo, o principal ingrediente é a Paciência.
Nos vemos nas próximas publicações, onde daremos continuidade a esses assuntos fantásticos e importantes de nossas vidas.
Grande beijo no coração e que tenhamos uma mentalidade positiva e aberta a novos aprendizados e a constante evolução.
Grande abraço fraternal.